Homilia do Saudoso Papa João Paulo II
1. “Ecce panis Angelorum / factus cibus viatorum: / vere panis filiorum Eis o pão dos Anjos, / feito pão dos peregrinos, / verdadeiro pão dos filhos” (Sequência).
Hoje a Igreja mostra ao mundo o Corpus Domini o Corpo de Cristo. E convida-nos a adorá-Lo: Venite adoremus Vinde, adoremos!
O olhar dos crentes concentra-se no Sacramento, em que Cristo se deu totalmente a si mesmo: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Por isso foi sempre considerado o mais Santo: o “Santíssimo Sacramento”, memorial vivo do Sacrifício redentor.
Voltamos, na solenidade do Corpus Domini, àquela “Quinta-feira” a que todos chamamos “santa”, na qual o Redentor celebrou a sua última Páscoa com os discípulos: foi a Última Ceia, cumprimento da ceia pascal hebraica e inauguração do rito eucarístico.
Por isso a Igreja, desde há séculos, escolheu uma quinta-feira para a solenidade do Corpus Domini, festa de adoração, de contemplação e de exaltação. Festa em que o Povo de Deus se reúne à volta do tesouro mais precioso herdado de Cristo, o Sacramento da sua própria Presença, e O louva, canta e leva em procissão pelas ruas da cidade.
2. “Lauda, Sion, Salvatorem!” (Sequência).
A nova Sião, a Jerusalém espiritual, em que se reúnem os filhos de Deus de todos os povos, línguas e culturas, louva o Salvador com hinos e cânticos. Com efeito, são inexauríveis a admiração e o reconhecimento pelo dom recebido. Este dom “é maior do que qualquer louvor, não existe um cântico que seja digno” (ibid.).
Eis um mistério sublime e inefável. Mistério perante o qual permanecemos estupefactos e silenciosos, em atitude de contemplação profunda e extasiada.
3. “Tantum ergo Sacramentum veneremur cernui Adoremos, prostrados, este sacramento tão grande”.
Na Sagrada Eucaristia está realmente presente Cristo, morto e ressuscitado por nós.
No Pão e no Vinho consagrados permanece connosco o mesmo Jesus dos Evangelhos, que os discípulos encontraram e seguiram, que viram crucificado e ressuscitado, cujas chagas Tomé tocou, prostrando-se em adoração e exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28; cf. ibid., 17, 20).
No Sacramento do altar é oferecida à nossa amorosa contemplação toda a profundidade do mistério de Cristo, o Verbo e a carne, a glória divina e a sua morada entre os homens. Perante Ele, não podemos duvidar de que Deus está “connosco”, que assumiu em Jesus Cristo todas as dimensões humanas, excepto o pecado, despojando-se da sua glória para com ela nos revestir a nós (cf. ibid., 21, 23).
No seu Corpo e no seu Sangue manifesta-se o rosto invisível de Cristo, Filho de Deus, na modalidade mais simples e ao mesmo tempo mais nobre possível neste mundo. Aos homens de todos os tempos que, perplexos, pedem: “Queremos ver Jesus” (Jo 12, 21), a Comunidade eclesial responde repetindo o gesto que o próprio Senhor realizou para os discípulos de Emaús: parte o pão. Então, ao partir o pão, abrem-se os olhos de quem o procura com coração sincero. Na Eucaristia o olhar do coração reconhece Jesus e o seu inconfundível amor que se dá “até ao fim” (Jo 13, 1). E n’Ele, naquele seu gesto, reconhece o Rosto de Deus!
4. “Ecce panis Angelorum… vere panis filiorum Eis o pão dos Anjos… verdadeiro pão dos filhos”.
Deste pão nos alimentamos para nos tornarmos testemunhas autênticas do Evangelho. Precisamos deste pão para crescer no amor, condição indispensável para reconhecer o rosto de Cristo no rosto dos irmãos.
A nossa Comunidade diocesana tem necessidade da Eucaristia para prosseguir o caminho de renovação missionária que empreendeu. Precisamente nos últimos dias foi realizado em Roma o congresso diocesano que analisou “as perspectivas de comunhão, formação e missionariedade na Diocese de Roma nos próximos anos”. É necessário continuar a caminhar “partindo” de Cristo, ou seja, da Eucaristia. Caminhamos com generosidade e coragem, procurando a comunhão dentro da nossa Comunidade eclesial e dedicando-nos com amor ao serviço humilde e abnegado de todos, sobretudo os mais necessitados.
Neste caminho, precede-nos Jesus com o dom de si até ao sacrifício e oferece-se a Si mesmo a nós como alimento e amparo. Aliás, em todos os tempos, não cessa de repetir aos Pastores do Povo de Deus: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9, 13); reparti para todos este pão de vida eterna.
Tarefa comprometedora e exaltante. Missão que permanece pelos séculos dos séculos.
5. “Todos comeram e ficaram saciados” (Lc 9, 17). Através das palavras do Evangelho, que há pouco escutámos, chega até nós o eco de uma festa que, desde há dois mil anos, não tem fim. Festa do povo a caminho no êxodo do mundo, alimentado por Cristo, verdadeiro Pão de salvação.
No final da Santa Missa também nós nos poremos a caminho no centro de Roma, levando o Corpo de Cristo escondido nos corações e bem visível no ostensório. Acompanharemos o Pão de vida imortal pelas ruas da Cidade. Adorá-lo-emos e à sua volta reunir-se-á a Igreja, ostensório vivo do Salvador do mundo.
Oxalá os cristãos de Roma, fortalecidos pelo seu Corpo e pelo seu Sangue, mostrem Cristo a todos com o seu modo de viva: com a sua unidade, com a sua fé jubilosa, com a sua bondade!
Que a nossa Comunidade diocesana recomece corajosamente a partir de Cristo, Pão de vida imortal!
E Tu, Jesus, Pão vivo que dá a vida, pão dos peregrinos, “alimenta-nos e defende-nos / conduz-nos para os bens eternos / na terra dos vivos”. Amen.
“Da mesma forma, o Espírito vem em socorro da nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir nem como pedir: é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis. (Rm 8, 26)”.
A maior riqueza que Deus deixou para nós, foi a de sermos templos do Espírito Santo. Somos humanos e por isso, muitas vezes não sabemos como nos aproximar de Deus, nem como nos colocar na presença de Deus. Como a própria Palavra diz, nós não sabemos o que pedir, nem como pedir, nesta hora o Espírito intercede por nós e em nós com gemidos inefáveis, a oração em línguas (Rm 8, 26).
Quando nos colocamos à disposição do Espírito de Deus, é Ele mesmo que nos leva a falar com Deus, aquilo que realmente estamos necessitados naquele momento, seja um louvor, um agradecimento, um pedido, Deus é quem sabe. Podemos pedir a Deus que ore em nós pelo Espírito Santo, pois é Ele que vem em auxilio às nossas fraquezas.
Deus sabe quanto somos fracos, por causa da nossa natureza humana; por isso, por Seu amor por nós, nos deu o Espírito Santo, para sermos conduzidos por Ele, para sermos íntimos dele. Esta intimidade nos ensina a rezar da forma que não sabemos com nossas próprias palavras, é aí que o Espírito ora em nós de forma que não entendemos. O Dom de línguas é um carisma, um Dom do Espírito Santo para edificação da comunidade. No comentário dos padres antigos, isso parece ter desaparecido ou, pelo menos, havia certo embaraço em explicar esse Dom. Parece que o abuso disso pelos hereges montanistas provocou desinteresse dos fiéis.
Com a graça do derramamento do Espírito Santo sobre toda a Igreja nos últimos anos, pela Renovação Carismática Católica, não só esse Dom, mas todos os Dons carismáticos do Espírito Santo, nos dão a oportunidade de nos aproximarmos mais de Deus, assim de sermos mais de Deus. Infelizmente, muitos que não conhecem esse Dom, fazem como os judeus fizeram com Maria, Pedro, e todos os que estavam em Pentecostes, chamando-os de bêbados. Os que têm essa graça, chamam de embriaguez espiritual.
Somos todos convidados a sermos embriagados pelo Espírito Santo. Deus que nos conhece e nos ama, está disposto a nos batizar no Espírito Santo. Não sabemos o que pedir a Deus, nem como, mas deixando o Espírito Santo orar em nós por nós, seremos completamente agraciados por aquilo que realmente estamos precisando.
Senhor, neste momento eu me coloco na tua presença, como os Apóstolos naquele Cenáculo com Maria. Estou com medo, triste, preocupado, sem saber o que fazer na minha vida, mas clamo a Ti que me envie o Espírito Santo. Sou fraco, por isso vem Espírito Santo, ora em mim. Vem em auxilio as minhas fraquezas, intercede por mim, em mim, com gemidos inefáveis. Dai-me os Teus Dons e Teus Carismas. Que eu seja, conduzido por Ti Espírito Santo. Que eu seja intimo do Teu Espírito Santo. Ora em mim, Espírito Santo, com gemidos inefáveis. (Agora, feche os seus olhos e se deixe conduzir pelo Espírito Santo, soltando a sua voz como criança que não sabe falar, mas o único som que sai é o da sua voz, não com palavras entendidas por você, mas com sons inexplicáveis, que só Deus entende. Faça agora esta experiência, pedindo: Batiza-me, Espírito Santo, com todos os Seus Dons e Carismas). Amém.